Projeto final da disciplina de Teleducação

Rede como apoio à interação, troca e construção de informações entre pessoas envolvidas na Educação de Surdos

Resumo:

Este projeto visa o desenvolvimento, manutenção e gerencia de um ambiente para interação, troca e construção de informações entre pessoas envolvidas com a Educação de Surdos.

Descrição do subprojeto:

Introdução
Justificativa
Objetivos
Público alvo
Metodologia
Especificação do ambiente
Resultados esperados
Referência bibliográfica


INTRODUÇÃO:

Inquietações buscam respostas para os problemas observados no processo de ensino-aprendizagem dos surdos, na comunicação, na aquisição de conhecimento pelo surdo e do conhecimento, ou reconhecimento, da Cultura Surda.

A pessoa surda é possuidora de uma língua e cultura próprias. Neste sentido, usa-se o termo surdo e não deficiente auditivo por reconhecer e respeitar a língua de sinais como língua natural das pessoas surdas, possuindo esta todos os requisitos de qualquer outra língua oral com a diferença de que o canal de comunicação passa a ser o visual-gestual ao invés do oral-auditivo.

Cabe aqui informar que a maioria dos trabalhos na área de surdez tratam da dificuldade de aquisição pelo surdo de uma segunda língua (como por exemplo o português), de treinamento da voz, construção de dicionários interativos (escritos também em segunda língua), etc., sendo que poucos se preocupam em investigar as reais condições de desenvolvimento do surdo livres de pré-conceitos como incapacidade para se comunicar, deficiência e dificuldade de aprendizagem.


JUSTIFICATIVA:

No Brasil existem poucas escolas para surdos e nenhuma universidade. Aliás, atualmente, existe somente uma universidade para surdos, a Universidade de Gallaudet situada em Washington. E quais os motivos desta realidade? Um deles, talvez, seja a falta de pessoal especializado.

Aqui, exponho minha experiência na educação de surdos onde fui professora em uma escola que, além de educar crianças e jovens surdos, também tem por objetivo a formação ou atualização de profissionais que trabalham com surdos atendendo várias cidades do Brasil e de outros países como Paraguai, Chile, Peru, Equador, Guatemala e Índia.

Foi durante estas visitas que pude constatar a preocupação dos professores quanto ao processo de ensino-aprendizagem e a busca constante de respostas para problemas tanto de comunicação, metodologia de ensino, quanto de avaliação.

Devido a pouca divulgação ou intercâmbio na rede sobre a educação de surdos, no que tange a educação em si ou a formação/atualização de recurso humano para trabalhar com, propõe-se este ambiente para acesso a pesquisas desenvolvidas em escolas, universidades, ou em parceria com estas, e que dificilmente se tem acesso, ou para um desenvolvimento conjunto de projetos, troca de experiência entre professores, métodos de incentivar os alunos, trabalhos interdisciplinares e cooperativos, estudo da língua de sinais, relacionamento pai ouvinte com filho surdo, etc., pretendendo ser um espaço para crescimento e apoio pessoal e profissional.


OBJETIVOS:

OBJETIVO GERAL:

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

Dentre os objetivos específicos pode-se citar:

Para alcançar os objetivos a que se propõem, estão previstas as seguintes etapas:


PÚBLICO ALVO:


METODOLOGIA:

A divulgação deste ambiente se dará através de correspondência, tradicional e eletrônica, às associações, escolas especiais para surdos, Secretarias de Educação, bem como a universidades e centros de pesquisas que desenvolvem estudos relacionados com a educação de surdos.

Para tanto, será necessário que o gerenciador do ambiente, além de construir material de apoio, acesso a bibliotecas, teleconferências, ..., mantenha-o interativo e motivador.


ESPECIFICAÇÃO DO AMBIENTE:

O ambiente contará inicialmente com 9 módulos, todos de caráter informativo, participativo, interativo e colaborativo onde estes três últimos serão oferecidos e possibilitados através da opção de COMENTÁRIO, incluída em todos os módulos. É através desta opção que o usuário pode tanto acessar comentários feitos por outras pessoas quanto acrescentar o seu próprio. Automaticamente o sistema concatena as informações do usuário à página de comentário do respectivo módulo.

O ambiente também utilizará sites já disponíveis na Internet com o intuito de enriquecê-lo e promover uma maior interação entre seus usuários. Para a seleção destes ambientes foram consideradas as seguintes características:

Quanto a estrutura das informações, se utilizará a técnica de hipermídia cuidando para não ocorrer uma sobrecarga cognitiva e nem uma desorientação no usuário. Para tanto, sempre que possível, não se utilizará textos longos.

Para evitar que o usuário se perca no ambiente, haverá sempre um menu com as opções disponíveis e um botão para sair da página e voltar diretamente para a sua antecessora. Por exemplo, se a página A chamou B e B chamou C, estando na página B, o botão SAIR acessará a página A, diferentemente do Back, por exemplo, do software Netscape que volta a última página visitada que no caso seria a C.

Quanto a cooperação e colaboração, cabe aqui citar Kaye, appud /BAR94/, que diz que muito da aprendizagem significativa e da compreensão profunda surgem de conversa, argumentação, debate e discussão entre e com estudantes, colegas, especialistas e professores. Vygotsky, também citado por Barros, /BAR94/, afirma que a colaboração entre pares durante a aprendizagem pode ajudar a desenvolver estratégias e habilidades gerais de solução de problemas através da internalização do processo cognitivo implícito na interação e na comunicação.

De acordo com as colocações anteriores relacionadas a cooperação e colaboração, o ambiente aqui proposto e descrito estimula e incentiva estas em praticamente todas as suas páginas através de formulários permitindo que o usuário interaja e coopere com o grupo enviando seu ponto de vista e propiciando, possivelmente em alguns participantes do grupo, conflitos cognitivos. Outra forma disponibilizada pelo ambiente é o correio eletrônico possibilitando que se envie mensagens diretamente ao gerenciador do ambiente.


RESULTADOS ESPERADOS:

O ambiente aqui proposto tem um papel mediador (ou facilitador) na medida em que sugere literaturas, coloca questões para reflexão, discute as dúvidas ou as encaminha para especialista, podendo auxiliar individualmente ao mesmo tempo que promove uma construção do conhecimento coletivo ao organizar e disponibilizar as informações. É através dos formulários ou do envio de mensagens que o usuário escreve sua opinião, enriquece o ambiente com sua experiência, compartilha informações, vivências novas situações, procura parceiros para desenvolver algum trabalho conjunto etc.

Em outras palavras, pode viabilizar a aprendizagem individual através de interações com o grupo possibilitando a criação coletiva de um conhecimento compartilhado no âmbito da Educação de surdos. É um ambiente em contínua construção que depende tanto de seu agente gerenciador quanto de seus usuários.

A interação, a divulgação de relatos de experiência, o envio de informações ao ambiente são muito importantes para o surgimento de questionamentos que provoquem desequilíbrios permitindo que o usuário reconstrua continuamente sua representação até que ela esteja satisfatória para responder às suas interações com o objeto (interação individual) e com os outros participantes do grupo (interação interindividual).

Espera-se poder construir um espaço para debate, resolução de problemas, dúvidas, troca de experiência e construção de material de apoio ao ensino de disciplinas, acesso a informações atualizadas e de ponta, desenvolvimento do conhecimento da língua de sinais, cultura dos surdos, discussão de metodologias de comunicação (oralismo, comunicação total, bilingüismo, ...), estimular o ensino e a pesquisa, ..., enfim, auxiliar na formação e reciclagem de profissionais que irão atuar, ou já atuam, na educação de surdos.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

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marciabc@music.pucrs.br